Os dados da Pnad 2008 não deixam dúvidas. Apesar de as lan houses já aparecerem como segundo local de acesso dos brasileiros, superando o local de trabalho, quando se leva em conta o total de 56 milhões de brasileiros que acessaram a rede ao menos uma vez em 2008, a população ativa, acima dos 24 anos, navega mais do trabalho. Só os jovens entre 18 e 24 anos dizem usar a internet em centros públicos de acesso 9 (as famosas lan houses). É dado relevante.

Principalmente, porque segundo os próprios pesquisadores, "o nível de escolaridade e o local de acesso apresentam uma ligeira relação. Têm níveis mais elevados de instrução as pessoas que usam a Internet no local do trabalho (12,4 anos de estudo) e no próprio domicílio (10,8 anos de estudo), e menores níveis de escolaridade os que acessam dos centros públicos de acesso pago (8,7 anos de estudo)".
O que preocupa
É aí entra outro ponto de alerta e máxima atenção. O percentual de pessoas que acessou a rede com a finalidade de educação e aprendizado reduziu neste período, de 71,7% para 65,9%. Comunicação com outras pessoas foi o motivo mais citado para utilização da Internet (83,2% dos usuários) em 2008, superando os fins educacionais e de aprendizado (65,9%), que eram a principal razão dos acessos em 2005 (71,7% naquele ano). O acesso para atividades de lazer também ganhou importância nos últimos anos: em 2005, era o terceiro motivo mais citado (54,3% dos que acessavam) e, três anos depois, passou ao segundo lugar, citado por 68,6% dos usuários.
Isso e ruim. Muito ruim. E preocupante.
É preciso fazer algo, já!
E apesar da leitura de jornais e revistas também foi um motivo bastante citado, por 48,6% das pessoas, esse também é um dado que requer atenção, principalmente em um país onde os pioneiros da internet foram os grandes veículos de comunicação e o uso da rede para acesso ao noticiário o grande motivador de navegação. Os brasileiros que há dez anos procuravam a rede para se informar melhor, agora procuram a rede apenas para se divertir e se comunicar.
Este ordenamento das finalidades foi observado em todas as Grandes Regiões. Em todas as Unidades da Federação a comunicação com outras pessoas foi o motivo mais declarado.
Números gerais
Essa é a segunda vez que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios investiga, como tema suplementar, o acesso à Internet e a posse de telefone móvel celular para uso pessoal. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre a utilização das tecnologias da informação e das comunicações no País, não só com vistas à necessidade de construção de indicadores para o atendimento no contexto nacional como também à comparação internacional de estatísticas sobre a sociedade da informação. Para tal, foram considerados em seu planejamento os indicadores-chave das tecnologias da informação e das comunicações aprovados na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (World Summit on the Information Society – WSIS), a exemplo de critérios também adotados por ocasião da primeira investigação sobre o tema, resultante de convênio entre o IBGE e o Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br, em 2005.
Em 2008, 56 milhões de pessoas de dez anos ou mais de idade acessaram a Internet pelo menos uma vez, por meio de um computador, contingente que representava 34,8% dessa população e mostrou um aumento expressivo nos últimos três anos - em 2005, o percentual era de 20,9%. O aumento no acesso à Internet se deu tanto para os homens (de 21,9% em 2005 para 35,8% em 2008) quanto para as mulheres (de 20,1% para 33,9%).
Do total de 56 milhões de pessoas que acessaram a Internet em 2008, 47,5% o fizeram de mais de um local, sendo que o mais citado foi a própria casa (57,1% dos que acessaram). O segundo local de onde mais se teve acesso à Internet foi o centro público de acesso pago ou lan house (35,2%), que em 2005, ficava em terceiro lugar, atrás do local de trabalho (31,0% em 2008).
Em 2008, mais da metade (53,8%) da população de dez anos ou mais de idade, ou seja, cerca de 86 milhões de pessoas, tinham telefone celular para uso pessoal – percentual que era de 36,6% em 2005, correspondendo a 56 milhões de pessoas.
Dois dados são dignos de nota: o celular chegou definitivamente às mãos dos brasileiros de baixa renda; e em muitos locais do país já usbstitui o telefone fixo.
Entre pessoas com renda familiar per capita entre zero e um quarto de salário mínimo, 11% tinham celular em 2005; agora, 1 em cada 4 tem o aparelhinho, destaca hoje o jornal Folha de São Paulo. No grupo de meio a um salário mínimo, eram 32%; em 2008, passaram para 47,9%. Como prova de que o celular desceu na pirâmide social, em 2005, a renda dos que não tinham celular correspondia a 44,9% dos que tinham. Em 2008, caiu para 38,7%.
Já das pessoas que tinham celular para uso pessoal, 44,7% (38,6 milhões) não tinham telefone convencional no domicílio em que moravam, percentual que era decrescente de acordo com o aumento do rendimento mensal domiciliar per capita.
Portanto, faz cada vez mais sentido o uso do celular para o desenvolvimento de aplicações sociais, de e-gov e para aumento da bancarização dos informais no país.
Sábado, Dezembro 12, 2009
Cai o uso da Internet para educação. Isso é ruim
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